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Archive for the ‘Introspecção’ Category

Saudade II

É engraçado escrever certas coisas, mas outras, de mim, não carregam graça nenhuma.

 

Escrever saudade. Não tem graça ou alegria alguma anexada.

Queria apenas e simplesmente ser forçado a não querer gostar, apenas para não sentir saudade.

 

Se existir alguma poesia na saudade, é a falta de coerência entre a realidade e a imaginação.

Se existir alguma beleza na saudade, é alguém que não tem os rostos molhados por chorar.

 

Se existir ironia alguma em tudo isto, é a falta de seriedade necessária para encarar a vida como algo que acaba.

 

Eu não sinto saudade por querer sentir saudade.

Eu não sinto saudade para colmatar a falta de alguma coisa em mim.

Eu não sinto saudade para sentir que sou algo melhor.

Eu não sinto saudade apenas por sentir saudade.

 

Eu, simplesmente, amo.

E quem ama, carrega o fardo da saudade.

 

Mãe, Pai e Irmão sinto saudades vossas.

 

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São 21 palavras.

didascálias sem drama: Apertar no Play antes de começar a ler

E falar assim, com o português do “Brasil” que ainda resta.

 

Faltam menos de 24 horas para ter vivido quase metade da minha vida em Portugal.

 

As memórias esquecem de certos pormenores e alguns pormenores fogem da memória.

 

É engraçado olhar para trás e ver as migalhas que deixei para trás:

  • Silves
  • Portimão
  • Costa da Caparica
  • Camarate
  • Oliveira do Hospital
  • Queluz
  • Cacém
  • Chelas
  • Leça da Palmeira

E quem conhece, sabe que é muita migalha, muito pão ralado que caminhei nessa vida.

 

E todos a quem conheci.

 

Os sítios onde fui.

 

Vivi alguma coisa, alguma boa coisa, para quem só tem 21.

Já fiz muita porcaria para quem só tem 21.

 

E resumir isso tudo que é viver vivendo é, não só complicado, mas vão.

Há sempre um qualquer com uma história de vida, feita num livro melhor que o nosso. Do outro lado, há aqueles que gostam de ler rascunhos.

 

Há sempre um qualquer que não se acha um qualquer.

 

E eu sempre pensei que era um peixe do mar, não de aquário.

E sempre pensei que os peixes do mar tivessem uma vida em grande.

E, hoje, sei que no aquário do mar, tudo tem limite, tudo tem lugar, tudo tem propósito.

 

Alguém escreveu que éramos filhos de peixes.

Alguém escreveu que éramos burros.

Alguém escreveu que éramos cães.

Alguém escreveu que éramos macacos.

 

E já escrevi muita coisa.

E não me revejo em muita coisa que escrevi.

 

Quem escreve, pode escrever o futuro, mas escreve o futuro do presente.

E o futuro do presente é fácil escrever.

Ainda mais fácil de ler.

 

Quem escreve, pode escrever o passado, mas já é passado, já foi vivido. Para que escrevê-lo?

Para o que escreve o presente, ter o que ler.

Para que, quem escrever o futuro, saber escolher o que ler.

 

Eu não escrevo o que vejo.

Escrevo a minha cegueira.

Escrevo o desejo de ver.

 

E, por escrever tantas vezes, as letras confundem umas ás outras.

E, por tentar ver, as imagens confundem-se com letras.

 

Quem escreve, não sabe cantar.

Quem canta, sabe ler.

Quem lê o que escreveram, canta.

Quem lê o que escreveu, encanta.

 

E são 21.

Anos enrolados em letras e versos.

 

Eu comecei por falar em concreto.

É difícil escrever em concreto.

 

Quem escreve em versos, é fraco.

Quem escreve em prosa é mais forte.

Quem não escreve, não vai longe.

 

Existe sempre algo por escrever.

 

É impossível não saber escrever.

 

Em prosa ou em verso.

 

Existe sempre alguém para ler.

 

E, no fim de tudo, a vontade de escrever não morre, não adormece, não diminui, não envelhece.

 

Tudo envelhece, menos as palavras.

 

 

Nascemos num caderno por escrever.

Envelhecemos em linhas preenchidas.

Morremos em breves palavras gravadas na lápide.

Eternamente seremos conhecidos pelas palavra que escolhemos materializar fora do papel.

 

 

Já sorri muito para quem só tem 21.

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O texto que se segue tem a origem no post do Facebook, onde o assunto era os Estudo/Formação e a luta que é feita, em vão, para baixar as propinas e lutar por um ensino superior gratuito.
Um dos intervenientes (A) sublinhou o seguinte:
“Nesta matéria, há o princípio e depois a realidade: embora o “tudo grátis para todos” não faça sentido, o apoio a quem precisa já faz, com critério; mas os abusos acabam por estragar a lógica dum sistema que deve dar oportunidades a quem precisa, exigindo a quem pode pagar que pague.”
Esta foi a minha intervenção:
 O problema são os abusos de quem tira partido de uma falha no sistema.
E eles pensam, “se podes ter o mesmo por um valor mais baixo, porque não?”
O erro, além de estar na cabeça desses milharfes, está no próprio sistema que permitiu que existisse essa falha.
Se houvesse uma avaliação rígida da actual situação económica do estudante, não existiria abuso por parte dos milharfes.
E essa situação, nem se deveria por em cima da mesa.
Estudar é um direito.
Deixem-me relembrar-vos:

“Declaração Universal dos Direitos Humanos

Artigo XXVI

1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as actividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do género de instrução que será ministrada a seus filhos.”

Sabem qual é o problema?

O Governo se aproveita da falta de objectividade existente nas frases:
“A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais.” e “A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.”

Um único senão, a instrução superior é elementar e fundamental para a conseguir cumprir um outro artigo na Declaração Universal dos Direitos Humanos:

” Artigo XXIII:
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de protecção social.”

Ora, todos sabemos que, tendo em conta a actual situação nacional e mundial, uma ” remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana” só é assegurada quando se tem uma “A instrução técnico-profissional, bem como a instrução superior”.

Eu sei que tudo tem um custo.

No entanto, existe o semear e o colher.
Semear:
– boas condições de estudo e formação para todos e;
Colher:
– um grupo de profissionais bem formados e contentes com a possibilidade de vir a exercer, no próprio país, algo pela qual lutaram durante metade da sua vida (e isso é importante), que irão, de forma natural, beneficiar a situação económica do país.

Simples. Investir. Semear e colher. E fidelizar o sentimento de ser-se Português.

(E sei que andei a escrever para nada. Os mais velhos é que sabem.)

E, após isso, o interveniente A disse:
“Brilhante discurso!
Mas o problema é mais vasto. Agora muito pessoal que foi formado pelo Estado, pagando ou não propinas, está a ir prestar serviços fora do país, muitos talvez p/ sempre, por falta de emprego… E aí perdeu-se o investimento feito para o país.
Mas a mentalidade Estado-paizinho aplica-se a muitas áreas da sociedade. Talvez agora o povo perceba que, quando o Estado paga, tem que ir buscar o dinheiro ao bolso do contribuinte, e passe a pensar que é melhor cada um tratar de si, dentro do possível…”
Ao que eu respondi:
Sabes porque que os Portugueses “bazam”? O Português não fideliza o ser-se Português.”
Ao que saiu-se-lhe isto:
Tá de crise…
E eu, concordei, acrescentando:
Claro está. Mas a crise não nasce do nada. Foi uma inconstância e um incumprimento tão duradouro, que o resultado final só poderia ser a crise.

E o falar agora do que poderia ter sido, de nada vale. Por isso é que sublinho, como Portugal vai “resolver-se” sem Português capazes?

E o interveniente A:
“Boa Pergunta!”
E eu finalizo desta forma:
As Resposta possíveis são:

  • Portugal não se vai resolver.
  • Portugal vai ser “resolvido” por outros. (É uma ideia apaixonante.)
  •  Portugal vai se resolver pela mão dos próprios Portugueses.
  •  (E a mais fácil) Portugal vai se resolvendo.

 

Essa última é tão fácil, que tem sido a resposta dada até hoje.

 

E sei também, que é muito fácil, facílimo, falar sobre a crise, ou como sair dela ou como criamos esta crise.

 

Difícil é aceitar que a resposta certa é a mais difícil de aceitar.

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Eu conheci um gajo.

 

Não há muito para dizer acerca dele.

 

Mudava-se de cidade com uma constância quase constante.

Após ter encontrado a cidade que arde, resolveu fazer daí o seu pousio permanente.

Mas como a única coisa permanente são os penteados, mesmo estes precisam de constante permanência (se é que me entendem), a mudança continuou a ser uma constante presente, desta vez sozinho.

 

Sempre com uma margem de erro grande, o rapaz não ligava muito a certas preocupações. Podemos dizer que aproveitava bem a vida, como qualquer frívolo o faria.

E aqui cospe-se um cliché que fica sempre bem: Uma conduta distraída só pode levar o Peugeot Junior de 88′  da vida a embater contra um Jaguar.

O Jaguar é reposto, carros destes tem a capacidade de ser recicláveis.

O Peugot Junior de 88′ morre.

 

E as margens diminuem.

A água começa a subir.

Os corpos começam a afogar.

 

E aí as escolhas, além de necessárias, são tomadas sob pressão.

(A única coisa boa sob pressão é a cerveja.)

 

A responsabilidade, disse-me o rapaz, é dele.

Por todas as decisões que tomou e pelas que não tomou.

 

E aprendeu algumas coisas engraçadas, que de engraçado não têm nada:

  • O prazer imediato é tanga. Queres ter prazer imediato, prepara-te para a dor duradoura.
  • O sorriso pode durar uma noite, mas as lágrimas vêm pelo amanhecer e duram até o anoitecer.
  • As decisões devem ser tomadas. As escolhas devem ser feitas. As desculpas evitadas. As casas de banho limpas. Os quartos arrumados. Os problemas resolvidos. O perdão pedido. As consequências devem ser enfrentadas.
  • Não existem atalhos. As saídas existem para quem pode sair. As entradas para quem aceita entrar. Mas não existem formas de encurtar o caminho entre a saída e a entrada.
  • As flores cheiram-nas quem já escorregou na porcaria e levantou. A quem foi dado o dom de não passar pela porcaria que defeca, a ignorância serve como preceito para manter a boca calada.
  • A preocupação genuína surge da amizade verdadeira. O resto são resmungas e maldizer.
  • O respeito é para ser mantido. A amizade é para conservar. O amor para cultivar. O trabalho para trabalhar. Os fins-de-semana para descansar. As férias para desmaiar.
  • Por último, e não menos importante, a vida sem Deus não vale nada.

 

E não é por tirarmos conclusões desta vida,

Que a caminhada acaba.

E não é por tirarmos conclusões desta vida,

Que as coisas melhoram.

 

As segundas não deixam de ser segundas apenas porque compreendeste o sentido da vida.

 

Eu conheci um gajo.

E há muita coisa para dizer acerca dele.

 

E as coisas ficam bonitas com um final moralista:

Deus não escreve direito em linhas tortas.

Ele é Deus, não é nenhum deficiente.

Ele escreve direito em linhas direitas.

Nós é que não sabemos ler.

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Eu não escrevo há muito, muito tempo, mas alguém me chamou de poeta.

Alguém me chamou de poeta.

 

Eu não escrevo há muito, mas alguém me chamou de poeta.

 

E, por mais elogios que possam me dizer,  nunca terá o mesmo sabor.

 

Poeta.

 

Sorrio com saudade.

Saúdo com lágrimas.

Choro com um sorriso.

 

Tudo porque esqueci de dar um beijo de despedida na minha mãe.

E, vendo as coisas como tenho que ver, poderei nunca o poder fazê-lo. Não não sabemos o amanhã.

 

Mãe, peço-te, não morras até dar-te um beijo de boa noite.

Pai, não te vás sem antes te abraçar.

 

São pormenores. Mas o que é a felicidade? São os pormenores.

 

A saudade não é um pormenor, é um mal maior.

 

Tenho saudade da minha família.

Tenho saudade dos braços da minha mãe.

Tenho saudades dos resmungos do meu pai.

Tenho saudade do sorriso do meu irmão.

Tenho saudade. Tenho saudade.

 

Minha mãe disse que eu era um Poeta.

 

O que os poetas não te conseguiram dizer, eu te digo mãe, eu te amo.

 

E sei que as lágrimas correrão tua face,

Saiba apenas que elas correm agora mesmo pelo meu corpo.

Porque não sou apenas saudade chorada, sou saudade suada.

 

E suado repouso em Teus braços Senhor e durmo em paz.

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Após ver uma discussão no Dr. Phil acerca do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo (mais especificamente acerca do California Prop 8), não posso deixar de afirmar a minha posição:

– Abomino a Homossexualidade em todas as suas formas.

– Se tu és Homossexual e achas que isso é uma característica biológica que te foi dada e que não tens culpa disso, lamento informar, mas tu és responsável pela tua própria condenação.

 

Incito-vos a leitura de Levíticos 18:22, 20:13 e Romanos 8:7.

 

O casamento, o Verdadeiro Casamento está aqui:

“Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mc 10:6-9

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Estou rendido. Preso nas garras da… paixão? Paixão? Repito com alguma incredulidade.

Eu tentei impedir que essa situação pudesse se desenvolver e agora vejo-me enclausurado entre a faca e o rosto dela, o belo rosto dela.

Haverá fuga?

Ou a única fuga possível será beijá-la?

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