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Porra! O tempo passa.

Passa e voa.

Quero escrever isso, mais para ler mais tarde do que para outra coisa. Não esquecer do que pensei, da ideia que tive, do momento que vivi.

Escrever aqui que amo a minha mulher.

Porra, eu sou casado. Eu, Wesley Ferreira, sou bem casado.

AHAHAHAHAH a imensidão do tempo que passou de eu ser sozinho, andar sozinho pelo parque de Queluz, a ouvir The Hives e The Kooks, andar sozinho por Cacém ouvindo gravações do John Peel, descer Chelas sozinho no meu Peugeot Junior 205 (eu sou a única pessoa que conheço que teve um carro antes de ter carta, aliás, ainda não tenho AHAHAHAH), descer sozinho a rua da estação de Oeiras de skate. Tudo em horas que homem não devia estar acordado. Se tenho orgulho? Era um miúdo muito estúpido. Sim, orgulho-me. Se calhar ainda sou.

Tudo sozinho. Aprendi a lidar na altura. Achava eu.

E vi a miúda mais bonita do mundo no Hard Club, num concerto onde, eu rodeando, o Sami cantou com o Manel Cruz. Não sabia quem era, mas fiquei naquela, miúda gira.

Encontrei mais tarde no almoço de anos do Guillul. Ya, é gira.

Do Facebook passou para Messenger, do Messenger para mensagens, de 96 para 91, de nada para chama acesa, de tanto chamar, ela veio.

O pessoal não sabe, mas ela disse que não da primeira vez que a pedi em namoro. Brincou com meu coração. Nessa noite, eu e o Alex dormimos na praia, a chover, com os CD’s da FlorCaveira. Comprei dois vinis á mim próprio, por estarem molhados. Dois V’s do Guillul. Apanhei a maior constipação da minha vida, a sério. Alex foi companhia precisa. Sempre. Longe. Perto.

Disse que não ia falar com ela mais. Ela mandou mensagem e eu voltei a falar com ela ainda mais.

De constipado virei apaixonado de novo, dessa vez mais macho. Era muito maricas, todo sentimental da vida, chato. Na, dessa vez, tomei as rédeas da paixão e tentei subir no touro dos sentimentos AHAHAHAH Caí bem AHAHAHAH Atrasado da porra.

Tentei uma cena nova. Ser eu mesmo. Resultou.

Ela veio do Porto depois de uma noite de trabalho. Eu, mesmo assim, não sabia ler as coisas.

No apartamento em Chelas, Zona I, eu beijei ela, sem saber se ela queria namorar comigo.

Claro que ela queria abestado.

Porra! O tempo passa.

É que não só namorei, mas casei.

Sabem aquele nervoso de não saber se vamos conseguir viver juntos? Não no sentido de nós um para com o outro, mas nós para com o mundo. Mobília, contas, comida. HAHAHAHAHAHA Hoje, eu rio, sentado na minha cadeira de baloiço. Olhando para minha esposa a falar com a mãe dela, sentado no sofá, na aparelhagem roda o Radiola ‘Balada do Amor Inabalável’ dos Skank. A vida não podia ser mais filme.

E vou ser pai. EU VOU SER PAI AHAHAHAH VOU SER PAI PAAAAI FATHER A DAD EU VOU SER O QUE MEU PAI FOI P’RA MIM VOU SER PAI DE UM SER ENSINAR A ANDAR ENSINAR A BATER UMA BOLA… wow WOW

O TEMPO PASSA. O TEMPO VOA. O TEMPO CORRE. O TEMPO NÃO DEIXA NINGUÉM O APANHAR.

Eu vou ser pai. Repito isso com lágrimas nos olhos, tentando não chorar, p’ra esposa que fala com a mãe não ficar preocupada. Preocupa não fofa, macho nessa hora chora, mas chora de ser feliz e não poder gritar.

Acabo por chorar. Ya, vocês a ler algo que eu escrevi a chorar. 

O tempo passa. Quando acabarem de ler, provavelmente, estarei a sorrir. Ou a dormir, as pessoas ficam acordadas até altas horas, hoje em dia.

O tempo passa.

Um dia, vou morrer. Tenho medo de morrer. Muito por saber que, se morrer agora, sei que não irei pro céu. Desviei do caminho que meus pais me ensinaram, o caminho em que devo andar. Amo Deus, mas não falo com ele, não tenho uma relação com ele. E choro mais. Esse dói. A gente sabe que está errado e sabe que é preciso mudar. Não mudo… E tenho medo de estar certo. Estar certo e não ir passar a minha eternidade com o meu Deus.

O tempo passa e a gente não apanha o tempo.

A gente apanha gripe, apanha fruta, apanha no rabo, mas não apanhamos o tempo.

Hoje, eu sei que o dia de hoje foi bom.

Hoje, sentarei na mesa com a minha esposa e vou comer take away do indiano.

Hoje, olho para a minha esposa e sei que a amo.

Hoje, sei disso.

Amanhã, não sei se vou esquecer disso tudo. Não tenho mãos para o que o hoje tem, não tenho mochila grande suficiente para o passado e não tenho óculos do futuro.

Hoje, sei que sou abençoado. Deus não me abandonou. Deus me abençoou.

Choro e sorrio.

Nessa hora, macho também chora, mas chora de ser feliz e não poder conter gratidão. Sai lágrima de um copo cheio.

Corpo cheio.

De gratidão.

Nada demais, apenas algumas palavras que gostaria que me tivessem dito quando passei pelo mesmo.

Depois de ter escrito isso, pensei no peso que essas palavras transportam.

 

É que essa frase não é escrita de uma vez só, é uma frase que vai sendo escrita ao longo dos tempos, do meu tempo, depois passa a ser do teu tempo. Do nossos tempos.

 

É algo que vai crescendo na mesma medida em que se vai vivendo. Uso gerúndio para perceberem a ideia de continuidade. Não pára de ser escrito.

 

Quem escreveu algo assim para outro alguém? Quer tenha sido em papel ou em folhas de ouvido? “… apenas algumas palavras que gostaria que me tivessem dito quando passei pelo mesmo.”

Isso é como passar um testemunho, aliás, é exactamente como passar um testemunho. Algo que carreguei e que, agora, passo-o a ti. Diferença? Já o carregas, eu só te digo o que gostaria que me dissessem quando eu carreguei isso sozinho.

 

Eu nunca fui o receptáculo de uma frase dessas. Não nesses termos, termos que aceitaria ao simplesmente ler, termos que meus olhos obrigar-me-iam a aceitar, testemunho que meus ouvidos aceitariam sem eu querer.

 

No entanto, escrevi isso a alguém.

No momento em que essa pessoa leu, eu passei a fazer parte da frase que ela está a escrever. Eu já escrevi aquele capítulo, ela que aperfeiçoe as minhas palavras de acordo com o livro dela. Sim, exactamente isso. Ela aproveita o meu rascunho e escreve algo melhor. Ou pior. It’s up to her.

 

Só pelo facto de eu ter partilhado, sinceramente, orgulho-me.

Para ser sincero. não fiz nada mais do que o meu dever.

Partilhar experiências, partilhar dores passadas, partilhar nossas histórias, é ajudar alguém a viver as experiências, ajudar alguém a sarar a dor ou apenas alguém que oiça e as guarde para si, como alguém que guarda um lembrete importante.

 

Escrevi memórias em palavras, contei-as a ti, faz o que quiseres com elas. Tenho vontade de dizer, cuida bem delas, porque doeram a escrever, mas não, contá-las é o máximo que eu posso fazer. O resto da história cabe a ti escrever com as tuas próprias palavras, usando a tua letra, com os teus erros de caligrafia.

 

Nada demais, são apenas algumas palavras que gostaria que me tivessem dito quando passei pelo mesmo.

Nunca se escreve demais.

Existem momentos de inspiração.

Sinceramente, e depois de muita porrada, acho que os momentos de inspiração devem ser tratados como os momentos de raiva. É preciso parar, pensar e só então agir.

Sinto-me num desses momentos.

 

É difícil fazer duas coisas quando estou assim: pensar e parar.

 

Quando era mais novo, as coisas que escrevi nesses momentos eram bastante românticas. Não me arrependo. Era miúdo sem namorada, as palavras davam razão para sonhar e os sonhos razões para escrever. Vivia bem nesse ciclo de amar ninguém e ser correspondido.

 

Mais tarde, ainda tive moções para textos activistas. Não. Just no…

 

Hoje, e como escrevi no texto atrás, parei de escrever.

No entanto, continuei a ter urgia de escrever. No início, pensei que não escrever quando queria, era uma espécie de disciplina interior. Hoje? Só uma estupidez sem tamanho. Não que escrever quando tenho vontade signifique algo bom, mas a verdade é que a maior parte das vezes, é.

Se formos parar para pensar, escrever pode ser, e para muitas pessoas é, uma forma de dizer coisas sem falar. Às vezes, magoa menos. Às vezes, magoa mais. Às vezes, previne-se lágrimas. Às vezes, chora-se. Tudo escrito, como uma ilusão de não doer. Tudo dói. Alguns gritam, outros escrevem.

 

E escrever assim, muitas vezes, é não separar. O quê? Tudo. Nada. Sentimentos. Frases. Baralha-se. Mistura-se.

O resultado pode agradar quem escreve, mas quem lê, não percebe. Já fui assim. Escrever, ou tentar, escrever poesia pode ser uma tarefa complicada, se não soubermos desemparelhar amores dos dissabores e, pôr em papel, o que apenas é.

Sinceramente? Nunca fazemos isso. Quem escreve poesia num momento de inspiração, sente-se amado pelas próprias palavras. Elas traem-no e levam-no a pensar que o amam. E poeta não é quem ama as palavras, é quem consegue pôr-las de forma a que amem, passando a ser extensão do poeta. Deixam de ser palavras, passam a ser poesia. Não sei se me entendem.

 

Nesse último parágrafo, viram-me a ouvir a inspiração. Sabem porque? Num momento de raiva, a forma como ages, revela algo sobre ti. E escrever e não parar é das melhores sensações que conheço acerca de mim.

Escrevi demais.

Paro.

Penso.

Nunca se escreve demais. Lê-se é de menos.

Gostei.

Não sei porque perdi a vontade de escrever. Talvez por ter perdido a vontade de ler.

Talvez por ter amigos que não lêem as minhas coisas.

Talvez por achar que a escrita, a minha em particular, começou a ser demasiado. Demasiado o quê? Boa pergunta.

Talvez por não achar um balanço entre o que escrevo e o que faço. Não que não faça o que escreva, mas que não escrevo o que faço. Letras que sangram. Ninguém gosta de ler coisas pesadas.

Talvez por achar que isso de escrever, da forma que eu escrevo, é “piroso”. Escrever como Ricardo Araújo virou modelo, eu virei moda. People tend to forget a moda, mas têm sempre um modelo na mente (por favor, atenção aos significados que dou a palavra modelo, não sejam burros).

Talvez por deixar de ter paciência. Antes era um miúdo bastante paciente, aguentava, ouvia, comia muita porcaria que não queria. Perdi isso com o tempo. Se arrependo? A reposta é balancear as coisas. Sempre fui gordo.

Talvez por ter começado a jogar bastante no PC ou em consolas. Um mundo que antes era lido, passa a ser visionado, de maneiras diferentes, mas nem por isso menos impressionantes. Apesar disso, sinto saudade de ler mundo impresso. Não que não tenha livros, quem não tem livros nesse século, não é burro, é animal.

Talvez por não ter percebido se as pessoas entendiam as entrelinhas dos meus textos. Eu tinha a mania de sonhar em letras. Nem sempre o meu sonho cabe em letras, mas as entrelinhas agarram sempre algo mais. Se é que entendem.

Talvez por ter mudado de cidade bastantes vezes. Mudar de cidade é, muitas vezes, mudar a forma de ser. Passamos a ter a cidade em nós e, dependendo da cidade, tudo muda. Ou nada. Estar num país estranho ao meu, onde a língua usada para fazer amor é outra, acabo por não ter a mesma facilidade para sonhar em Inglês. Shakespeare escreveu bem, mas o meu Camões era digno de se-lhe tirar os óculos.

Talvez por não perceber muito bem como evoluir a escrita. Sempre fui um gajo esperto, mas péssimo aluno. Aprender as lições da vida sempre foi motivo de visita ao director. Até hoje falo com ele, tal as vezes que decorou os meus caminhos.

Talvez por não saber parar num estilo de escrita e tentar escrever algo novo, ser, em letras, algo novo. Sempre tive essa ambição de criar algo novo. Quem não tem? Usar a escrita nem foi algo pensado, saiu. E, não sendo pensado, não sei parar ou se devo parar. Quando parar quando não se sabe para onde ir?

Talvez por não querer ser mais um dos pseudo-poetas, que acabam por estar associados a putos estúpidos. Se bem que usar a palavra pseudo, é ser estúpido. A maior parte dos jovens que escrevem poesia, escrevem coisa manhosas da mesma forma que o jovem anterior, numa espécie de filinha pirilau de estupidez semântica. Ao menos escrevem. Eu é que não vou ler.

Talvez por ter começado a ver mais vídeos e menos letras. Eu leio, não sou nenhum atrasado, mas leio muita coisa corrida, nada que se assemelhe a um livro. Devia fazer uma colectâneas de leitura corrida, não iria interessar ninguém, a internet oferece tanta merda a quem não tem critérios. Os vídeos são o fast-food do povo. Sempre fui gordo.

Talvez por ter começado a namorar. Parece que tudo o que escrevi até hoje, foi tudo para ganhar uma miúda, porque depois disso, raramente escrevi de novo. Até parei de ser romântico. Olha, talvez foi por isso que parei de escrever, parei de ser romântico. Os românticos olham para a vida com um olhar mais iludido, vendo sorrisos em cada mendigo, prazer em cada bosta pisada, alegria em cada porrada no autocarro, os românticos são sonhadores em óculos 3D. Ser um, é fácil, olhar para um, nem por isso.

Talvez por ter começado a ler o que escrevia. Pareceu bom até pouco tempo. Depois começou a parecer leitura de drogado, depois palavras de um puto e, finalmente, apercebi que era cliente do cinema 3D dos outros gajos, os pseudos. Porra.

Sinceramente, não sei o porque de ter parado de escrever, acima de tudo, acho que foi por ter parado de ler. Tanto que o que escrevi, mas acima de tudo, o que escreveram para mim. Nada em específico, só tudo. Quem escreve, escreve para alguém. Sempre. E eu parei de ler. Chegar a essa conclusão, deixa-me triste. Nem sei onde pôr as vírgulas. Já os pontos, faço-os de propósito, não sou nenhum animal.

Independentemente da razão, gosto de escrever.

Posso não ter jeito para isso, posso escrever demasiado, posso não encontrar balanço, posso ser “piroso”, posso ser impaciente, posso ser distraído, posso não entender as minhas próprias entrelinhas, posso ter mudado bastante, posso não evoluir, posso até parecer um pseudo, mas, agora, enquanto escrevo, gosto daquilo que leio. Gosto de ler o que acabo agora mesmo de escrever.

Gostei.

Para o meu Irmão

Gostaria de não ter jeito nenhum para escrever, mas saber agir da maneira certa, quando é preciso fazê-lo. Escrever é fácil, não me interessa o que dizem, escrever é fácil. 

 

Só espero que meu irmão saiba que isso não são só palavras escritas.

 

Lucas, eu te amo. Quero que saibas disso. Eu te amo.

 

Até um dia desses, ok? 

Ok. 

Senna

Senna.

Como eu não quero dar lições de história, não vou ser coerente na posição cronológica dos acontecimentos.

Desde criança, meu pai ensinou-me a gostar do Senna. E, desde criança, gosto do Senna.

Na escola, após a sua morte, Senna era História. Não história, História. Sempre foi claro que, para mim, enquanto brasileiro que também sou, eu teria que saber e carregar comigo quem foi Senna.

A verdade é que cresci e esqueci. Esqueci do peso que o nome Senna carrega, mas, e mais importante, esqueci de saber quem era e o que fez Ayrton Senna da Silva.

 

 

1984. Mónaco. 9º. Senna arrebentou. E, tenho a certeza absoluta, só não passou Prost (legalmente), porque pararam a corrida.

A partir daqui, o mundo sabia quem era Senna.

 

E com Senna, o mundo conheceu alguém que confiava em Deus. Ele confiava inteiramente n’Ele.

E com Senna, o mundo conheceu ainda mais o Brasil. Senna era Brasil. Com tudo o que o Brasil tinha de bom, com tudo o que tinha de mal, especialmente naquela altura, Senna era Brasil.

 

 

Grande Prémio do Japão. 1989. Prost-Senna. Nunca gostei de franceses. Nunca. Prost e Balestre não são casos à parte.

Não havia Prost ou Jean-Marrie Balestre ou arrogância francesa ou chuva que parasse Senna. Senna foi feito para ganhar.

 

 

Ele ganhou o Grande Prémio do Brasil com a caixa de mudanças ’empenada’ na sexta mudança, apenas para dar ao seu Brasil o que ele realmente merecia, o máximo de Senna, as dores de Senna, o sangue de Senna.

O grito no vídeo é dele. “Eu ganhei! Eu ganhei! P*#$ que p!#$%! Eu ganhei!”.

Com os ombros doridos, com a dor visível no seu rosto, ele levantou aquela taça perante o seu povo. Senna é Brasil.

 

 

Imola. Itália. 1994. Tamburello.

Ah…

É difícil ver as imagens, quanto mais tentar descrevê-las.

“Senna bateu forte”. Bateu mesmo Galvão Bueno.

O Brasil chorou. O mundo chorou. Eu choro.

“O Brasil precisa de comida, de saúde, de dinheiro e de alegria. A alegria já foi.”

A Fórmula 1 morreu com Senna.

 

 

A melhor forma de lembrar Senna não é pela Tamburello.

A melhor forma de lembrar Ayrton Senna da Silva é relembrar Senna. Relembrar Senna.

Senna era humildade. Senna era simplicidade. Senna era preocupação. Senna era paixão. Senna era sorriso. Senna era Brasil. Senna é Brasil. Senna era um homem de fé. Senna era um homem com valores. Senna era sinceridade. Senna era um homem com objectivos. Senna era amizade. Senna era família. Senna era teimosia. Senna era o primeiro.

 

Senna tinha um dom.

Senna tinha uma vontade e era a vontade vencer. Acima de tudo, vencer. Custe o que custar, vencer.

 

Prost era classe, frieza e inteligência. Senna era coração.

 

E, hoje perguntam-me, quem foi Ayrton Senna?

Meu amigo, Senna é Senna.

Saudade II

É engraçado escrever certas coisas, mas outras, de mim, não carregam graça nenhuma.

 

Escrever saudade. Não tem graça ou alegria alguma anexada.

Queria apenas e simplesmente ser forçado a não querer gostar, apenas para não sentir saudade.

 

Se existir alguma poesia na saudade, é a falta de coerência entre a realidade e a imaginação.

Se existir alguma beleza na saudade, é alguém que não tem os rostos molhados por chorar.

 

Se existir ironia alguma em tudo isto, é a falta de seriedade necessária para encarar a vida como algo que acaba.

 

Eu não sinto saudade por querer sentir saudade.

Eu não sinto saudade para colmatar a falta de alguma coisa em mim.

Eu não sinto saudade para sentir que sou algo melhor.

Eu não sinto saudade apenas por sentir saudade.

 

Eu, simplesmente, amo.

E quem ama, carrega o fardo da saudade.

 

Mãe, Pai e Irmão sinto saudades vossas.